Ansiedade x Corona Vírus:  Você sabe a diferença?

Parte I

Olá pessoal, espero que todos se encontrem bem.

Em nossa última reflexão da semana passada na “Coluna Semanal - Conversando sobre Saúde Mental”, que se deu através de vídeo nas redes sociais do Instituto Dom Bosco – Bom Retiro (Instagram e Facebook) com o tema “Esperança”, compreendemos a importância dela para a nossa saúde mental e também o quanto é significativa e potente para cada um de nós, enquanto uma força e emoção que nos impulsiona de forma positiva em momentos difíceis, principalmente neste que está sendo vivenciado por todos atualmente.

Esse período de pandemia, por ser uma situação da qual não temos muito como ter o controle, acaba nos fazendo viver um momento marcado por instabilidades e incertezas, o que consequentemente faz com que nos sintamos perdidos, desorganizados, estressados e bastante angustiados ou ansiosos, não é mesmo? E isso pode acabar prejudicando a nós e nossa saúde mental.

Portanto, para continuarmos cuidando de nós, dos outros e abraçarmos as nossas saúdes mentais, essa semana venho compartilhar de algumas informações e orientações importantes com vocês, visando diminuir possíveis dúvidas em relação a Ansiedade e o Coronavirus, já que ambos tem sido cada vez mais discutidos e amplamente vivenciados pela população desde que o isolamento social se iniciou, destacando assim as suas diferenças e compreendendo como identificá-los, a fim de nos auxiliar a lidar de forma mais positiva com eles, visando prevenção e nosso autocuidado. Como trata-se de um assunto complexo, será dividido em duas partes, a Parte II virá na semana que vem de acordo com a data da coluna semanal (quintas feiras), acompanhe.

  • Vocês sabem o que é essa tal Ansiedade e como ela se apresenta para nós?

Podemos dizer que a ansiedade é como uma mensageira pra nós, pois é um mecanismo de defesa e reação natural de nosso corpo, enquanto um estado emocional, cuja principal função é nos preparar para lidar com situações difíceis ou de risco, logo, de nos alertar sobre algo que talvez esteja precisando de uma maior atenção e de um olhar mais cuidadoso de nossa parte em relação a como nos sentimos, a como nos relacionamos com nós mesmos, com os outros e a como nos posicionamos no mundo, a fim assim de identificarmos quais gatilhos, emoções ou situações influenciam, provocam e acentuam a nossa ansiedade e que possam estar querendo evidenciar algo que não esteja tão legal dentro de nós ou ao nosso redor, visando a nossa própria proteção contra possíveis ameaças ou situações que colocariam em risco nossa qualidade de vida, saúde e bem estar.

Desse modo, a ansiedade se apresenta para nós, quando nosso corpo compreende que há alguma possível ameaça ou situação difícil acontecendo, onde precisaríamos reagir tentando combater ou fugir. Nesse processo, nosso cérebro acaba sendo ativado e estimula a liberação de hormônios e outras substâncias importantes que terão o objetivo de tentar nos deixar atentos e prontos para lidar com essas situações, o que consequentemente dispara sintomas ou sensações corporais diversas que podem acabar sendo experienciadas por nós e que nem sempre se mostram agradáveis, como por exemplo com o aumento da frequência cardíaca e de nossa capacidade respiratória.

Mediante a isso, vamos conhecer um pouco mais sobre os possíveis sintomas da Ansiedade para sabermos identificar situações e aprendermos quando ela se mostra saudável para nós e quando se torna excessiva e patológica, podendo nos fazer adoecer?

 

(Imagem retirada de: https://br.pinterest.com/pin/736831189021905184/)

No entanto, vocês devem estar se perguntando, se a ansiedade é algo tão importante e necessária assim para nós, por que é tão mal vista por todos e ou por que ela parece muitas vezes nos causar mais mal-estar do que bem-estar? Por isso, é extremamente importante que saibamos reconhecer e diferenciar a ansiedade normal da patológica.

A ansiedade normal é essa explicada acima como reação natural e necessária de nosso corpo para nos proteger. Já a patológica, será aquela ansiedade em excesso, que se apresenta além do necessário pra nós e que vai estar sempre preparando você e seu corpo para lutar ou fugir de situações, mesmo quando não tiver perigo ou necessidade de lutarmos ou fugirmos, e essa sim requer atenção, cuidado e auxílio, pois pode nos fazer adoecer, resultando em transtornos de ansiedade.

Portanto, a ansiedade patológica é aquela que nos paralisa, aquela em que há anseio ou angústia excessiva em relação a algo que possa nos acontecer, existindo ou não o perigo de fato, nos colocando sempre nesse modo de alerta exagerado, nos remetendo a preocupações e evidenciando medos que podemos ter, seja de nos decepcionarmos com alguém, com nós mesmos ou com alguma situação, ou ainda onde predominam pensamentos negativos constantes de que algo ruim irá nos acontecer, tendo o pensamento e sensação de que precisamos controlar e prever tudo, dentre outras preocupações antecipadas ou medos que podem nos invadir e se tornarem frequentes como: de ficarmos sozinhos, de falar em público, de dirigirmos, de andar de avião, de morrer, de adoecermos, do julgamento dos outros, de não sermos bons o suficiente ou ainda de não sermos capazes de algo que tanto desejamos ser ou fazer, medo de realizar algumas escolhas, como por exemplo em relação ao nosso futuro profissional, etc.

“De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais - V) os transtornos de ansiedade compartilham características de medo excessivos e perturbações comportamentais relacionadas. Assim, medo é resposta emocional a uma ameaça real ou imaginária, enquanto que a ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura”. (Retirado de: https://www.vittude.com/blog/ansiedade/, matéria publicada em 2018).

 

A preocupação e a ansiedade podem ser como parceiras que andam juntas lado a lado e são movidas em grande parte do tempo pela tentativa de adivinhar, prever e ou controlar o nosso futuro, como se fosse uma forma de defesa para, desse modo, buscar diminuir incertezas ou frustrações que poderíamos vir a ter ao longo da vida.

No entanto, a questão importante de compreendermos nessa situação é que, o futuro assim como determinadas escolhas e situações, não são possíveis de serem previstos, controlados e ou conhecidos por nós com tamanha certeza, mas sim é possível, mesmo em meio a incertezas e momentos difíceis, conseguirmos nos acolher assim como fazemos em bons momentos e com sentimentos positivos, nos permitindo assim encontrar as infinitas possibilidades de estratégias e novos caminhos para conseguirmos melhor lidar com tais possíveis preocupações que nos surgem e que podem disparar ainda mais nossas ansiedades de forma negativa

 

Contudo, as percepções de perigo que se manifestam muitas vezes através de sintomas em nós, como também a ação de enfrentamento em relação a tal ameaça ou ansiedade, dependerá de como a própria pessoa irá lidar e compreender essas situações, vivências, conflitos, emoções, pensamentos e gatilhos que o invadem em dado momento de vida, podendo cada um individualmente se utilizar de estratégias diferentes e em um tempo e espaço específicos para melhor conseguir lidar com a ansiedade.

Todavia, é importante dizer nem sempre conseguiremos lidar com tudo o que nos ocorre sozinhos e está tudo bem, afinal não se é possível ter controle de tudo, não somos máquinas para dar conta de tudo ao mesmo tempo e não somos menos capazes ou potentes por causa isso, muito pelo contrário, ainda bem que podemos aprender a ter essa percepção em relação aos nossos limites  e capacidades e de compreender que estamos sendo fortes e corajosos em reconhecer e aceitá-los.

Então, mesmo compreendendo que a ansiedade é uma reação natural de nosso organismo, após aprendermos aqui quais são seus possíveis sintomas e reações corporais, podemos perceber que ela gera também uma certa confusão interna e emocional para nós, onde tudo se mistura, principalmente os nossos pensamentos e sentimentos, virando literalmente uma bagunça mental com um barulho grande e crescente dentro de nós, onde nosso cérebro e corpo ficam tentando lutar para compreender o que ocorre, na tentativa de reorganizar e lidar com toda essa bagunça, a fim tão somente de combater possíveis ameaças e nos proteger.

Por essa razão, é que podemos contar com a ajuda de profissionais psicólogos e psiquiatras para também nos ajudarem a fortalecer ainda mais a nossa caminhada de autocuidado e bem-estar, como ocorre em um time de futebol por exemplo, onde se somam forças para o bem de todos.

Portanto, a melhor forma de lidarmos com a ansiedade, é se aproximando dela para compreender como é seu funcionamento e de que forma se manifesta em cada pessoa, pois é importante ressaltar que ela se apresentará para cada um de nós e em nós (sintomas) de formas diferentes, então quanto mais conseguimos identificar e entender o que provoca uma emoção, a cada passo mais conseguiremos lidar de melhor forma com ela também. Para isso, se mostra fundamental adotarmos algumas novas posturas e ações preventivas para melhor lidarmos com ela e ou também caso se mostre necessário podermos nos permitir recorrer a auxílios profissionais (psicólogos) ou medicamentosos sob orientação e prescrição médica (psiquiatras).

 Podemos também tentar minimizar  e controlar melhor a ansiedade buscando ter: uma boa rotina do sono, alimentação, organização de nossas tarefas e rotinas diárias/semanais, realizar exercícios físicos e ou atividades como meditação, ouvir uma música, cozinhar, fazer atividades de lazer/prazerosas também e não só as de deveres e responsabilidades, converse com seus familiares, colegas ou com outras pessoas em quem confie e possam te escutar com atenção e acolhimento, dentre outras estratégias possíveis que melhor te façam sentido e que te ajudem a encontrar bem-estar em meio aos momentos de maior dificuldade.

  • Duas dicas bacanas que podem auxiliar bastante quando a ansiedade estiver sendo negativa para nós:

 

    Aprendermos a respirar de modo mais assertivo, pode nos ajudar a nos acalmarmos em momentos de maior ansiedade e angústia, mobilizando nosso corpo a reduzir sensações corporais que se manifestam em nós em momentos difíceis através de sintomas (acima no texto e imagens mencionados). Para tanto, a fim de praticarem melhores formas de respiração, compartilho com vocês do “Vídeo do Peixinho”, o qual é reconhecido enquanto um dos exercícios possíveis para aprendermos e treinarmos a nossa respiração. As instruções são simples, basta seguirmos o ritmo do peixinho, então quando ele for subindo devemos inspirar (respirar puxando o ar com o nariz e o segurando/prendendo por 1 segundo até que o peixinho vá descendo) e quando ele for descendo vamos expirar (ir soltando o ar pela boca). Podemos repetir esse exercício várias vezes, sempre olhando para o peixinho como se ele fosse a sua respiração.

 

    Outra sugestão é fazermos a TÉCNICA GROUNDING, ela é uma técnica comportamental, que tem o objetivo de nos ajudar a focar na respiração e em nosso aqui-agora para que em momentos de maior ansiedade consigamos minimamente aliviar ou controlá-la. Essa técnica funciona da seguinte forma, a medida que estivermos respirando (inspira e expira – igual vídeo do peixinho acima) ou logo depois de respirar algumas vezes, iremos prestar atenção e tentar identificar alguns aspectos do ambiente relacionados aos nossos 5 SENTIDOS (visão, audição, tato, olfato e paladar) para os ativarmos a nos ajudar em momentos de maior ansiedade, portanto você poderá:

 

    Identificar 5 coisas que você consiga VER naquele momento no local onde estiver (por exemplo: flores, objetos, como está o dia, assistir séries e ou filmes favoritas, olhar para fotos de pessoas que você goste,...);

 

   Identificar 4 coisas que você possa TOCAR naquele momento no local onde estiver (por exemplo: fazer carinho em um pet/almofada/bichinho de pelúcia, segurar a mão de alguém que goste, sentir a textura de algum objeto,...);

 

​     Identificar 3 sons que você consiga OUVIR naquele momento no local onde estiver (por exemplo: ouvir uma música que goste, ouvir uma história que te faça sentido, conversar com alguém em quem confie, algum som do ambiente,...);

Identificar 2 coisas que você consiga SENTIR O CHEIRO naquele momento no local onde estiver (por exemplo: cheiro de café, de algum perfume e ou sabonete de que você goste, de alguma comida, cheiro de plantas/flores ou essências como lavanda e camomila melhor ainda,...)

 

    E identificar 1 coisa que você possa SENTIR O GOSTO naquele momento no local onde estiver (por exemplo: comer uma fruta que goste, tomar algum chá/suco que ache agradável,...);

Vídeo do Peixinho:

Parte II

  • E afinal, tem como confundirmos a Ansiedade e o Coronavírus?
     

Neste período de pandemia, muitas pessoas tendo sido infectadas ou não pela COVID-19, tem apresentado sintomas ou crises de ansiedade em número bastante crescente nesses últimos meses. Por essa razão, a seguir buscaremos destacar suas semelhanças e diferenças.Podemos compreender que a falta de ar é um sintoma semelhante e presente, tanto na ansiedade quanto no coronavirus, então é possível confundirmos ambas as sensações nesses diferentes quadros que interferem em nosso corpo, emocional, saúde e qualidade de vida.

Para nos auxiliar na melhor identificação e diferenciação dos quadros de ansiedade e coronavírus, se faz importante prestarmos atenção e sabermos reconhecer quais sintomas vem ou não acompanhados de emoções, pensamentos, situações ou possíveis gatilhos disparadores de ansiedade como vimos acima, pois mesmo que muitos dos sintomas desses quadros sejam semelhantes, como a falta de ar, ambos os quadros se diferenciam, e são essas diferenças que nos ajudam na identificação de qual possa estar se apresentando para nós.

Uma observação importante de fazermos é: Será que essa sensação de falta de ar que você ou alguém que conhece possa estar sentindo, é a primeira vez que sente ou já é um sintoma frequente e que já aconteceu anteriormente com você em um outro momento da sua vida e até de repente mais de uma vez?

Curiosidades:

- A falta de ar do Coronavirus: pode vir acompanhada de ao menos mais um dos sintomas como: dores no corpo, febre e tosse. E, nesse caso, a falta de ar ela é contínua, ou seja, fica presente por um longo tempo e dias em nós, independente de sua mudança de humor, de acontecimentos, de pensamentos e ou de sentimentos que tenham no momento.

- Falta de ar na Ansiedade: na ansiedade dificilmente a pessoa sentirá somente falta de ar, pois não é o único e essencial sintoma que pode sinalizá-la pra nós, já que normalmente a ansiedade pode vir acompanhada de sensações corporais tais como: dores de cabeça, coração acelerado, diarreia, enjoos, suor frio, formigamentos pelo corpo, mãos geladas, tremedeira, insônia, angústia/sensação de aperto no peito, pensamentos variados ao mesmo tempo e acelerados, em grande parte do tempo negativos, dentre outros possíveis como vimos aqui anteriormente. Nesse caso, a falta de ar pode durar alguns segundos ou minutos em momentos específicos, de acordo com acontecimentos que podem alterar a intensidade ou frequência destes sintomas/sinais de alerta apresentados em nosso corpo como resposta de que algo possa não estar legal. Por exemplo: se ficarmos nervosos ou preocupados com uma apresentação em que precisemos falar em público ou com medo de nos contaminarmos/ou alguém de nossa família por COVID-19, nesses momentos em que nos ocorrerem tais preocupações, medos ou pensamentos e sentimentos, há uma maior chance de termos a falta de ar da ansiedade.

E lembre-se: Se você educando(a) ou familiar quiserem conversar em particular comigo (Psicóloga IDB), peço por gentileza que entre em contato com a sua coordenação ou educadores, para que possamos marcar e fazer com que essa conversa aconteça!

Monique Lowczyk Carvalho (CRP 06/131862)

 

*Caso não seja educando (a)/famílias, mas queira ou precise de uma ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra, clique aqui e veja sites onde constam alguns profissionais e ou instituições que neste momento de pandemia e isolamento social estão realizando alguns atendimentos ou acolhimentos psicológicos online e gratuitos, portanto, se precisar de ajuda não pense duas vezes, procure e conte com a ajuda de algum destes profissionais da saúde, pois afinal como vimos nos cuidar é importante e faz toda a diferença.

Texto: Monique L Carvalho | Psicóloga do IDB 

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